O passeio da Zita - parte 2

 Após percorrerem uma bela estrada, a família da Zita chegou ao seu destino:  Condomínio TROPICÁLIA. Na entrada, havia uma enorme placa com muitas  borboletas coloridas. A Zita deu risada - parecia que seus medos estavam ali – presos dentro da placa! Aquelas borboletas no estômago, que aparecem na hora do medinho ou “medão” – estavam ali, na placa!

 Ao chegarem, um senhor muito amigável veio cumprimentá-los.

A Zita estava meio atrás da saia da mãe, dizendo baixinho, sem parar – já vai passar, já vai passar, as borboletas estão presas, lá dentro da placa da Tropicália… cadê as rosas, duende, amigos invisíveis? Apresentem-se agora, preciso de força! (ela sempre fica assim, meio assustada, com toda e qualquer coisa nova).

Uh huhh – mas isso era por dentro. Por fora, ela estava como quase sempre, meio quieta, dificuldade até de cumprimentar, cabeça baixa, fazendo força para olhar nos olhos dos donos da casa. Mão gelada, se concentrando prá ninguém perceber que tremia… UFA.

O senhor amigo foi muito gentil, abraçou com carinho e cuidado a Zita, transmitindo calor e amizade.

Já a sra amiga, estava mais prá inimiga do que qualquer coisa… arrumada demais e incomodada com o jeito da Zita – se irritou ao perceber a timidez da Zita.

Ela se incomoda com quase tudo. Tem dinheiro, veste roupas caras, está sempre maquiada, cabelo arrumado, mas não tem educação. Uma “grossa”, diriam os amigos da Zita.

Não era amiga, era DESAMIGA !!!

Pastéis e licor entregues, malas nos quartos, foram conhecer o local. Havia duas piscinas, com uma decoração tão exagerada que tinha até um elefante de pedra! Era o jeito da Sra. Amiga, ops, Sra. DESAMIGA !!

O quarto de hóspedes, na verdade, era um pequeno chalé, com uma porta de vidro que dava direto pra piscina! Sonho total! Dos quartos, se via o lindo jardim, através de portas de vidro!

E foi uma corrida para arrumar tudo e se preparar para ir para a piscina. E foi só um tempo depois, que se deram conta de que a Zita não tinha falado nada. Calada demais.

E lá estava ela estática, travada, PARADA, em frente à porta de vidro, olhando para dois cachorros que também a olhavam com curiosidade. Um suor gelado escorria pelo pescoço da Zita. Vontade de fazer xixi, até dor de barriga chegando, muito frio. Eles, lá fora, e ela aqui dentro…

MEDO MEDO MEDO

Esqueceram de avisar que havia cachorros naquela casa. É tão comum, hoje, cachorros e gatos fazerem parte da família, que as pessoas sequer se lembram de avisar que, se você for visita-los, vai visitar também seus animaizinhos.

E quem tem medo faz o quê?

De repente, você passa a fazer parte de uma comunidade de chatos que têm medo de bichos… a Zita não tem medo, tem pavor de cachorros. Nunca foi mordida, mas tem medo. Fobia? Não importa o nome – ter cachorros por perto, é um sofrimento.

OPS, O QUE FAZER?

Segura os cachorros.... vamos prendê-los... e aí começa uma novela estranha, com momentos estranhos. Sentimentos diferentes, em todos os lados:

Preocupação dos pais da Zita.

Medo e vergonha da Zita... VERGONHA ZITA? de quê exatamente?

NINGUÉM TEM QUE SE ENVERGONHAR PELOS SENTIMENTOS QUE TEM!

Solidariedade e preocupação do Sr. Amigo;

Impaciência e irritação da Sra. Desamiga – existem pessoas assim. Um pouco vazias de sentimentos.

E ficou acertado – sem problemas – que os cachorros ficariam em um belo pátio interno, sem ficarem soltos com as visitas. Tudo ok, Zita cabisbaixa, mas aliviada, Dona Desamiga fingindo que não se incomodava.

E os adultos conversando, preparando lanche, Zita com outras crianças ali na piscina… mas não passavam 3 minutos que não desse uma olhada, prá ver se os cachorros estavam longe e no outro lado da grade do jardim. E toda a vez que alguém entrava no local, onde estavam os cachorros, vinha aquele frio danado, gelado que corria pelas costas…

Pensamentos de novo…e se eles escaparem? Será que eles sabem que não estão aqui por minha causa? Olha só aquele ali me olhando, ele é muito forte e grande, vai me morder, com certeza.   

Não foi fácil. 

Mas a Zita estava lidando seus medos.

E agora, chegamos em um momento de decisão na estória: o passeio da Zita com seus pais pode ter, pelo menos, dois finais:

Um final:

Todos passaram o final de semana na casa do Sr. Amigo e da Sra. Desamiga. A Zita melhorou, suava , a cada vez que via os cachorros, mas foi ficando. O medo não passou, mas deu prá continuar a visita, se divertir na piscina. Voltaram para Regolish, vermelhos do sol.

Outro final:

A Sra. Desamiga foi ficando muito impaciente e , pelo jeito da Zita – quietinha e com medo. Ficou achando que era manha de menina boba… que deveriam insistir com ela, que largasse de ser chata, e queria soltar os cachorros. O Sr. Amigo ficou muito triste com a grosseria da sua esposa. Tentou melhorar a situação, mas não deu.

O pai da Zita e o Sr. Amigo passearam um pouco, relembraram os tempos de colégio, mas depois, decidiu retornar. Não ficaram naquela casa onde não se compreendia a Zita. Voltaram para Regolish, cantando no carro, tomaram um belo lanche e chegaram em casa !

Naquela noite, a Zita abraçou bem forte o seu pai. Não disse nada, nem precisava….

O seu final:

E como você gostaria que terminasse esta estória? Teria um outro jeito? O seu jeito? É só escrever prá gente….

LEMBRE-SE SEMPRE – é possível ter os amigos mágicos das estórias encantadas do nosso lado!!!

ATENÇÃO

Leia a primeira parte dessa estória aqui